sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

desculpa


Desculpa. Tinha pensado em convidar-te. Quer dizer... acho que irias gostar do filme, afinal é uma história de amor e tu gostas disso, do exercício do amor. Pelo menos foi o que disseste. Não foi? Desculpa estar sempre a fazer perguntas e a pedir desculpa. É a minha maneira. Dizes que não faz mal e encolhes os ombros. Tenho a certeza de que não me ouves. O silêncio fica a meio de nós, a distância do teu corpo ao meu é a maior muralha de todas. É conveniente que o filme se passe na China. Desculpa. Não, não sou pessimista. Aprendi apenas a antever os teus humores. E não sei o que te diga. Enquanto te olho imagino o beijo que podíamos dar, os dois. Tu a beijares-me com a boca toda, eu a ser engolido. Imagino coisas destas e outras. Se soubesses, dirias que é uma coisa de homem. Terias razão. Talvez. Desculpa. Não tenho a certeza. Sei que parte do meu amor por ti é essa tua postura masculina, de quem se está nas tintas. Há momentos em que me sinto mais mulher do que tu. Com mais piedade pelas coisas do mundo. Olha, a meio do filme senti uma tristeza tão triste que quase chorei. Desculpa dizer-te assim. A culpa é tua. Toda tua. Como geralmente é. E só nessa medida é que te vejo mulher; aí e nos beijos que imagino darmos. Como no filme. Desculpa a parvoíce. (imagens do filme Sedução, Conspiração de Ang Lee)

3 comentários:

Sebastião disse...

Grande Blog. Muito giro.
Adoro-te Mãe.

Inês disse...

Heresia, confesso: a primeira coisa que esta tua historinha me lembrou foi uma frase de outro filme - o desprezadíssimo Love Story, de que eu gosto muito ( não posso dizer que amo, porque amar amo o Annie Hall e o Senso e o Doutor Jivago - que também é feio amar, eu sei, que se lixe - e o One From the Heart e o Der Himmel Uber Berlin e o Vertigo e o Habla con Ella e agora A Vida Secreta das Palavras, que se não viste vê, por favor, tem dentro a minha Mariana e é belíssimo). A frase: «Amar é nunca ter de pedir desculpa». Difícil, de tão banal. O filme passou outra vez uma noite destas na tv, aí pelas 4 da madrugada de uma das minhas insónias, e percebi que ainda choro quando o vejo, exactamente como chorava quando tinha 14 anos e nem sequer conhecia Nova Iorque. A verdade é que ainda não vi a neve em Nova Iorque - nem quero ver, tenho medo que não seja tão branca e bela como a daquela Love Story. E também ainda não consegui amar sem pedir desculpa - falta-me sentir o bafo da morte, talvez. E, no entanto, todos os dias estamos mais perto da morte. Se pensássemos nisso a sério,teríamos outro talento para o amor. Não concordas?
Beijos, Inês

alex disse...

Aborreceste-me, amiga.
Achei lamechas para além de me irrita esta coisa da troca de sexos no que toca às lágrimas ou às posturas mais ou menos viris (ou deveria eu dizer pseudo-combativas e assertivas?)
Detesto quando me baralhas as expectativas.

Beijo
Alex